Os festivais mais conhecidos de Espanha: 12 eventos a não perder
Do Primavera Sound e do Sónar ao Benicàssim, Mad Cool e à Bienal de Flamenco: os 12 festivais mais conhecidos de Espanha, com local, mês e uma dica.

França molda o calendário europeu de festivais desde 1947, ano em que Jean Vilar organizou o primeiro Festival d'Avignon. Hoje, o verão traz fins de semana de rock em campos bretões, metal numa vila vinhateira do Loire, jazz num teatro romano e teatro de rua que toma conta de uma cidade inteira na Auvérnia. Este guia apresenta os onze festivais mais conhecidos, com onde e quando se realizam, o que esperar e uma dica prática para cada um.
Poucos países levam os seus festivais tão a sério como França. O Estado trata-os como política cultural desde os anos do pós-guerra, e o Ministério da Cultura, as regiões e os departamentos continuam a financiar grande parte deles, dos grandes festivais de teatro e de ópera da Provença aos fins de semana de jazz nas aldeias do sudoeste. Junte-se a Fête de la Musique, que desde 1982 transforma cada 21 de junho num concerto gratuito à escala do país, e percebe-se que aqui um festival não é um luxo, mas parte do verão comum.
O lado musical cresceu um pouco mais tarde e sobretudo nas regiões. A Bretanha é o coração: as Vieilles Charrues, em Carhaix, e o Interceltique, em Lorient, estão entre os eventos mais visitados do país, e ambos nasceram de iniciativas locais que continuam a assentar em voluntários. O Hellfest, perto de Nantes, saiu de um encontro de hardcore e punk, e as Eurockéennes de Belfort foram desde o início um projeto regional. Paris tem o Rock en Seine e uma cena eletrónica animada, mas o festival francês típico é de província, estival, muitas vezes gratuito na rua e profundamente ligado à sua terra.
O Festival d'Avignon é o ponto de partida da tradição francesa dos festivais. Jean Vilar fundou-o em 1947 com um punhado de espetáculos no pátio do Palácio dos Papas, e esse pátio, a Cour d'honneur, continua a ser o palco ao ar livre emblemático do festival. Todos os julhos, a programação oficial, conhecida por In, apresenta teatro, dança e performance novos, vindos de França e do estrangeiro, enquanto o Off paralelo enche as caves, as capelas e os pátios da cidade com uma enorme mostra de companhias independentes, cada uma a distribuir panfletos a quem os aceitar.
Avinhão fica junto ao Ródano, no Vaucluse, uma cidade medieval murada que durante um mês se torna um grande palco. Os espetáculos decorrem de manhã até bem depois da meia-noite, e as próprias ruas fazem parte do programa, com desfiles, paredes de cartazes e cenas improvisadas. É a casa natural das companhias de teatro e de dança, do circo e do teatro físico, e dos artistas de rua que trabalham o público entre as salas.
Dica: As companhias que querem participar no Off inscrevem-se na organização do próprio Off e alugam um horário a um dos teatros, por isso convém contar com a sala, o alojamento e uma equipa de distribuição de panfletos muito antes de julho.
A Fête de la Musique é menos um festival do que um hábito nacional. Lançada pelo Ministério da Cultura em 1982, realiza-se todos os anos a 21 de junho, na noite do solstício de verão, quando quem toca um instrumento ou canta é convidado a fazê-lo em público. O princípio não mudou: todos os concertos são gratuitos, amadores e profissionais partilham os mesmos passeios e o país inteiro, de Paris à mais pequena aldeia, soa como um único palco ao ar livre até tarde.
Não há um recinto: as bandas filarmónicas tocam nos degraus das igrejas, os coros nos átrios das estações, os DJs às portas dos bares e as bandas de rock em cima de atrelados na praça. As cidades maiores acrescentam palcos oficiais organizados pela câmara, e a ideia foi desde então adotada em muitos outros países. Para um artista, é a forma mais fácil de ser ouvido em França; para os organizadores, é a lembrança anual de quanto talento vive ali ao virar da esquina.
Dica: Os artistas que querem um lugar num palco oficial contactam a câmara municipal ou o serviço cultural local na primavera; tocar sem aviso numa esquina faz parte da tradição, mas convém confirmar as regras locais sobre amplificação.
Les Vieilles Charrues, as Velhas Charruas, são um dos festivais que os franceses nomeiam primeiro quando o tema surge. Começaram em 1992 como uma festa entre amigos no centro da Bretanha e tornaram-se um encontro de vários dias que atrai gente de todo o país a uma pequena vila rural. A programação é deliberadamente ampla: cabeças de cartaz internacionais de pop e rock, chanson e rap franceses, artistas de eletrónica e, por orgulho, música bretã e celta. O ambiente é acolhedor e notavelmente despretensioso.
O recinto de Kerampuilh, à saída de Carhaix-Plouguer, é uma extensão de campo bretão com vários palcos, um vasto parque de campismo e uma aldeia de festival. Carhaix é uma vila pequena, e é precisamente esse o ponto: o festival é organizado por uma associação sem fins lucrativos com uma grande equipa de voluntários, e toda a região vive dele durante uma semana. Conte com aguaceiros, cidra, crêpes e um público que canta em francês.
Dica: Os bilhetes e os passes de campismo esgotam com muita antecedência, e Carhaix fica longe de qualquer cidade grande, por isso trate cedo do transporte ou dos autocarros oficiais a partir das estações da Bretanha.
O Hellfest é o lugar de peregrinação do metal europeu. Nasceu de um encontro local de hardcore e punk e adotou o nome atual em 2006; desde então, tornou-se ponto fixo no calendário dos fãs de metal, hard rock e punk de todos os continentes. O festival é famoso pela sua escala e pela cenografia teatral do recinto, com portões esculpidos, bares permanentes e palcos construídos como catedrais, e por um público bem mais simpático do que as t-shirts pretas fazem supor. As edições esgotadas são a norma.
Clisson é uma vila bonita a sudeste de Nantes, no meio das vinhas do Muscadet, com arquitetura de inspiração italiana que torna a invasão anual ainda mais surreal. O recinto tem vários palcos temáticos que cobrem todo o espetro, do rock clássico e do heavy metal ao black metal, doom, hardcore e punk, com os palcos mais pequenos a dar lugar a bandas novas. A vila abraçou o evento, e o comércio local entra na festa durante a semana.
Dica: Os bilhetes são postos à venda no outono e esgotam muito depressa, por isso decida cedo; Clisson tem estação ferroviária na linha de Nantes, que é a forma mais fácil de chegar.
O Rock en Seine é o grande festival de fim de verão da capital. Desde 2003 encerra as férias, no fim de agosto, com uma programação de rock, indie, pop, música eletrónica e hip-hop, distribuída por um fim de semana longo e vários palcos. Tem o ambiente de um festival de cidade e não de um festival de campo: muitos visitantes chegam de metro depois do trabalho, ficam para os cabeças de cartaz e dormem na própria cama, o que dá ao público um ar descontraído e variado.
O cenário é o Domaine national de Saint-Cloud, um parque histórico desenhado nas colinas a oeste de Paris, com relvados, fontes e vistas sobre a cidade. Os palcos distribuem-se entre as alamedas de árvores e os terraços. O cartaz inclina-se para bandas de guitarras internacionais e para nomes atuais da pop e da eletrónica, com artistas franceses e nomes emergentes nos palcos mais pequenos, e o parque mantém tudo civilizado mesmo com lotação esgotada.
Dica: Apanhe a linha 10 do metro até Boulogne – Pont de Saint-Cloud ou o elétrico T2 até Parc de Saint-Cloud e entre a pé; deixe o carro em casa, porque o estacionamento é escasso.
As Eurockéennes foram criadas em 1989 pelo Território de Belfort como festival de rock para o leste de França, e o nome, um jogo entre Europa e rock, ainda descreve a ideia. Ao longo de um fim de semana longo no início de julho, mistura rock e metal com hip-hop, música eletrónica e pop, com a fama de contratar artistas uma temporada antes de ficarem famosos. O público é jovem, fiel e vem de todo o leste de França, da Suíça e da Alemanha.
O recinto é a península do Malsaucy, uma língua de terra arborizada num lago aos pés dos Vosges, a poucos quilómetros de Belfort. Os palcos ficam entre as árvores e ao longo da margem, e o palco da praia, com o público na areia à beira da água, é a imagem de postal do festival. O cenário assenta bem a um cartaz variado, das grandes produções de rock no palco principal às sessões de DJ de madrugada junto ao lago.
Dica: Há autocarros de ligação entre a estação de Belfort e o recinto; o campismo é no local, e a própria Belfort merece uma visita pelo Leão esculpido por Bartholdi.
O Festival Interceltique de Lorient reúne desde 1971, todos os meses de agosto, o mundo celta num porto bretão: Bretanha, Irlanda, Escócia, País de Gales, Cornualha, Ilha de Man, Galiza e Astúrias, mais a diáspora mais distante. Durante cerca de dez dias, a cidade vive ao som de gaitas de foles, violinos e bombardes, dos campeonatos de pipe bands e dos bailes tradicionais fest-noz aos grandes espetáculos de noite e ao desfile de domingo com todas as nações em traje. Cada edição homenageia uma nação celta como convidada.
Lorient é uma cidade portuária de trabalho, reconstruída depois da guerra, e o festival espalha-se pelos cais, praças, pavilhões e pelo estádio, com boa parte do programa gratuita na rua. É o lugar das pipe bands, dos harpistas, dos cantores de folk, dos grupos de rock celta e dos grupos de dança, e trata a música tradicional e a contemporânea como iguais. Os visitantes vêm pela mistura de concerto, mercado, baile e festa de rua.
Dica: A Grande Parade des Nations Celtes, no primeiro domingo, é imperdível; chegue cedo ao percurso e reserve cama com semanas de antecedência, porque os hotéis de Lorient enchem durante todo o festival.
O Jazz à Vienne é um dos festivais de jazz ao ar livre mais conhecidos da Europa, e é o palco que o define: o teatro romano de Vienne, escavado na encosta acima do Ródano, onde o público se senta em bancadas de pedra antiga sob o céu de verão. Desde 1981, o festival decorre durante cerca de duas semanas, do fim de junho para dentro de julho, com concertos à noite por grandes nomes do jazz, da soul, do blues e das músicas do mundo, e uma programação aberta o suficiente para acolher funk, gospel e hip-hop.
Para lá do teatro, boa parte de Vienne transforma-se num festival gratuito: um palco à tarde no Jardin de Cybèle, jam sessions que se prolongam pela noite e música na rua, com o centro antigo e o rio como pano de fundo. Vienne fica a uma curta viagem de comboio a sul de Lyon, o que torna fácil juntar um concerto à cidade. Os jovens músicos de jazz encontram aqui um público atento, e os palcos gratuitos são um verdadeiro trampolim.
Dica: Os degraus de pedra do teatro são duros, por isso leve uma almofada, e vá de comboio a partir de Lyon em vez de carro; confirme antes o horário dos últimos comboios de regresso.
O Festival d'Aix-en-Provence é o festival de ópera de verão de França, fundado em 1948 e conhecido desde o início por Mozart, ainda que o repertório vá hoje do barroco a obras encomendadas de raiz. Todos os julhos apresenta um punhado de produções de ópera completas, com elencos, encenadores e orquestras internacionais, a par de concertos, recitais e música de câmara. A sua reputação assenta em produções musicalmente exigentes e teatralmente ousadas, e é paragem habitual de quem segue o circuito europeu de verão.
A sala emblemática é o Théâtre de l'Archevêché, um palco ao ar livre no pátio do antigo palácio arquiepiscopal, onde os espetáculos começam quando a luz desce sobre o centro antigo. Outros decorrem no Grand Théâtre de Provence e no Jeu de Paume, um teatro do século XVIII. O festival tem uma academia própria para jovens cantores, instrumentistas e compositores, o que faz de Aix tanto um lugar de formação como uma montra.
Dica: Os espetáculos ao ar livre começam tarde e o mistral pode soprar frio depois de escurecer, por isso leve um agasalho, e reserve cedo o Archevêché, porque essas noites são as primeiras a esgotar.
O Nuits Sonores é o festival de referência da música eletrónica em França. Criado em 2003 pelo coletivo lionês Arty Farty, toma conta da cidade durante vários dias de maio com uma programação que vai do techno e do house à eletrónica experimental, ao indie e ao hip-hop, com forte destaque para artistas que assinam a curadoria do seu próprio dia. Manteve um carácter independente e reflexivo, juntando às festas o European Lab, um fórum sobre cultura e sociedade que decorre em paralelo com a música.
Os espaços são meio caminho andado: programas de dia em antigas naves fabris e instalações industriais, noites nos clubes da cidade e em edifícios invulgares, e um programa paralelo gratuito de concertos e eventos ao ar livre por toda a Lyon. O cenário dá-lhe um glamour industrial e sem polimento, e atrai tanto fãs dedicados de música eletrónica como habitantes que simplesmente gostam da ocupação da cidade. É um bom sítio para DJs e produtores verem como se constrói uma programação a sério.
Dica: Os eventos de dia e de noite têm bilhetes separados e os espaços industriais diurnos são os mais procurados, por isso planeie primeiro os dias; o programa gratuito é anunciado mais perto das datas.
Durante alguns dias de agosto, Aurillac, uma tranquila capital de departamento nas montanhas do Cantal, torna-se um dos grandes pontos de encontro europeus do teatro de rua. O festival foi fundado em 1986 por Michel Crespin e tem duas faces: uma seleção oficial de companhias convidadas e pagas pelo festival, e a muito maior multidão de companhias de passagem que se inscrevem e atuam onde encontrarem uma praça, um parque de estacionamento ou uma soleira. Teatro, circo, marionetas, dança, fogo, bandas filarmónicas e pura provocação partilham as ruas.
O que impressiona é a escala: todo o centro da cidade fecha ao trânsito e cada esquina tem um espetáculo desde o fim da manhã até bem depois da meia-noite, com o público a andar de atuação em atuação e a pagar às companhias de passagem no chapéu. Programadores de festivais de toda a Europa vêm procurar espetáculos, o que faz de Aurillac tanto um mercado como uma festa. É o palco natural de artistas de rua, artistas em andas, artistas de fogo e companhias de teatro físico.
Dica: As companhias que querem atuar inscrevem-se previamente no festival como compagnie de passage; o procedimento e o prazo são publicados no site do festival, e o alojamento em Aurillac esgota com meses de antecedência.
Os festivais franceses são programados pelas suas próprias equipas, muitas vezes em articulação com os tourneurs, as agências que tratam das digressões de um artista, e a maioria dos cartazes de verão fecha-se durante o inverno. As vias clássicas de entrada para um artista novo são os programas de descoberta, como a seleção iNOUïS do Printemps de Bourges, em abril, e as Trans Musicales de Rennes, em dezembro, seguidos dos palcos secundários dos festivais regionais. Por baixo disso existe uma enorme camada de festivais municipais de verão, festas de aldeia e a Fête de la Musique, que contratam artistas locais todos os anos. Os perfis no EuroActs ajudam esses programadores a encontrar DJs, bandas e artistas por cidade, categoria e área de atuação.
Para quem organiza festivais mais pequenos, festas de cidade, festas de aldeia e eventos de verão de empresas, a questão prática é como encontrar bons artistas depressa. No EuroActs, artistas e espaços estão listados com a sua categoria, localização e área de atuação, e os organizadores contactam-nos diretamente, sem comissão e sem intermediários. Assim, o orçamento fica para o que conta na noite: o espetáculo, o som e o palco.
Depende do que se conta. Entre os festivais de música, as Vieilles Charrues, em Carhaix, e o Hellfest, em Clisson, são os dois mais citados pela dimensão do público e do recinto, com as Eurockéennes, o Rock en Seine e o Festival Interceltique de Lorient logo atrás. Nas artes performativas, o Festival d'Avignon, com o seu Off, está numa categoria à parte. A Fête de la Musique envolve muito mais gente do que qualquer um deles, mas, sendo uma noite gratuita à escala do país, não é realmente comparável.
A época musical abre com o Printemps de Bourges, em abril, e o Nuits Sonores, em Lyon, em maio, ganha ritmo com o Hellfest, em junho, e atinge o auge em julho e agosto, quando se sucedem as Vieilles Charrues, as Eurockéennes, o Jazz à Vienne, Avinhão, Aix, Lorient e Aurillac, antes de o Rock en Seine encerrar o verão no fim de agosto. As Trans Musicales de Rennes, em dezembro, são a exceção de inverno.
Internacionalmente, o Festival de Cinema de Cannes, em maio, e o Festival d'Avignon, em julho, são os dois festivais franceses de que quase toda a gente ouviu falar, e a Fête de la Musique, a 21 de junho, foi copiada em todo o mundo. Na música, as Vieilles Charrues, o Hellfest e o Rock en Seine são os nomes mais conhecidos dentro e fora do país, enquanto o Jazz à Vienne e o Festival d'Aix-en-Provence lideram nos seus géneros.
Sim, muitos. A Fête de la Musique, a 21 de junho, é inteiramente gratuita em todo o país, e a maioria das cidades organiza ciclos de concertos gratuitos de verão nas praças e nos parques. Vários grandes festivais têm também um lado gratuito: o programa de rua do Festival Interceltique de Lorient, o palco da tarde e as jam sessions do Jazz à Vienne, o programa paralelo do Nuits Sonores e as companhias de passagem de Aurillac, onde se paga o que se quiser no chapéu.
A maioria dos festivais contrata através das suas equipas de programação e dos tourneurs, por isso uma presença profissional conta: um perfil claro, bom vídeo ao vivo, uma lista honesta de atuações anteriores e uma área de atuação realista. Os programas de descoberta, como os iNOUïS do Printemps de Bourges e as Trans Musicales, são o trampolim clássico, o Off de Avinhão e as companhias de passagem de Aurillac desempenham o mesmo papel no teatro e nas artes de rua, e a Fête de la Musique está aberta a todos. Um perfil no EuroActs torna um artista encontrável exatamente para esses organizadores locais.
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